Enquanto isso em POA….

Ciclovia da Av. Ipiranga dificultará o deslocamento de ciclistas.

Posted by  on 20 de janeiro de 2012

Em uma recente pedalada pelas obras da ciclovia da Av. Ipiranga, constatamos diversos problemas que inviabilizarão a utilização deste espaço pelos ciclistas de Porto Alegre.

Novamente, nossa Prefeitura apresenta um projeto recheado de falhas, o que trará inúmeros prejuízos diante dos poucos benefícios oferecidos aos futuros usuários deste espaço.

Ciclovia Bidirecional?

Uma ciclovia pode ser unidirecional ou bidirecional. Em projetos unidirecionais a ciclovia é mais estreita e as bicicletas circulam em uma só direção. Nos modelos bidirecionais, a ciclovia é mais larga e permite o trânsito de bicicletas em ambos os sentidos (modelo observado da ciclovia de Ipanema).

Pelo projeto original, a Ciclovia da Avenida Ipiranga deveria ser totalmente bidirecional, permitindo o trânsito de bicicletas nos dois sentidos (bairro-centro e centro-bairro).

Para nossa surpresa, já nos quatrocentos metros iniciais, encontramos diversos pontos que apresentam curiosos estreitamentos, onde é impossível o trânsito simultâneo de bicicletas em sentidos opostos.

Tal situação apresenta um grande risco de colisão entre os futuros usuários que trafegarem em sentido contrário, uma vez que um deles terá de obrigatoriamente parar e aguardar o outro passar. Existirá um semáforo para isso ou prevalecerá “a lei do mais audaz”?

Em reuniões realizadas com o setor de engenharia da EPTC, a informação prestada era de que nos pontos onde existisse necessidade, ocorreriam obras no talude e alargamentos no canteiro, buscando manter o espaço físico necessário para uma ciclovia bidirecional.

Pelo visto, a opção adotada foi a mais fácil, mesmo colocando em risco a segurança dos futuros usuários.

Uma ciclovia “não contínua”.

Diante da péssima escolha para o local de construção da ciclovia e dos inúmeros obstáculos existentes, segundo o projeto apresentado, a ciclovia constantemente mudará de lado na Av. Ipiranga.

Em alguns trechos será construída no canteiro central do sentido bairro-centro e em outros momentos, do outro lado do Arroio, no canteiro central do sentido centro-barirro.

Isto fará com que os ciclistas tenham de trocar seguidamente de lado na via, atravessando algumas pontes e perdendo muito mais tempo de deslocamento do que se trafegassem na própria pista de rolamento, como ocorre nos dias de hoje sem a existência da ciclovia.

Como mencionamos anteriormente, as constantes trocas de lado “são necessárias” em função dos inúmeros obstáculos existentes, impedindo que a ciclovia seja implementada em uma única margem do Arroio com a largura adequada.

Compartilhamento de calçadas com pedestres

Com a necessidade de constantes trocas de lado em relação ao Arroio Dilúvio, os ciclistas terão de fazer tais travessias utilizando as pontes já existentes na Av. Ipiranga.

Segundo informações fornecidas pela própria EPTC, devido ao fato de algumas destas pontes serem tombadas, é impossível a construção de ciclovias ou a realização de qualquer marcação nestes espaços.

Isto quer dizer que, em cima das pontes, os ciclistas terão de pedalar por um local considerado como passeio (calçada), compartilhando o espaço com elevado número de pedestres e sem qualquer divisão ou delimitação física.

Tal situação é totalmente contrária ao que determina o Código de Trânsito Brasileiro, que veda a utilização de bicicletas nos passeios públicos, sem falar da iminente disputa de espaço entre pedestres e ciclistas, o que gerará um grande risco de colisões e acidentes.

Em tempos remotos, Porto Alegre já teve uma experiência semelhante no antigo Caminho dos Parques, onde na Av. Goethe existia um trecho de uma suposta “ciclovia” que era simplesmente pintada sobre a calçada, sem qualquer outra divisão ou barreira física, o que gerava constantes colisões e desinteligências entre pedestres e ciclistas em um espaço que deveria ser reservado exclusivamente ao pedestre (calçada).

Mau cheiro torna a pedalada desagradável

Devido aos altos índices de poluição e das condições climáticas (temperatura, vento e umidade), o odor que frequentemente exala do Arroio Dilúvio é extremamente desagradável.

Com a previsão inicial de pouco mais de nove quilômetros em sua extensão total, um ciclista com o objetivo de utilizar a sua bicicleta como meio de transporte levará mais de trinta minutos para percorrer toda a ciclovia da Av. Ipiranga, ficando exposto ao mau odor por um longo período.

Obviamente que uma pessoa de bicicleta estará bem mais exposta do que outra que percorra o mesmo trecho dentro de um veículo automotor, isso sem falar da diferença na atividade respiratória e do consumo de “oxigênio” que são bem maiores durante a realização de uma atividade física.

Ficar exposto ao terrível mau cheiro por mais de trinta minutos, durante o ato de pedalar ou de qualquer outra prática que exija um maior esforço, não é uma experiência agradável. Após tal exposição, certamente o resultado será uma forte sensação de enjoo ou náusea, algo pouco atrativo e nada de acordo com a perspectiva de quem busca utilizar a bicicleta como meio de transporte ou lazer.

Obstáculos na pistas

Durante toda a sua extensão, o canteiro central que margeia o Arroio Dilúvio é repleto de obstáculos. São inúmeras árvores, postes e outras proteções que inviabilizam a construção de um ciclovia agradável, contínua e bidirecional.

Já na quadra do trecho inicial, encontramos locais onde sequer é possível construir uma ciclovia unidirecional, pois o espaço existente não permite nem a passagem de uma bicicleta com as mínimas condições de segurança.

Talvez isto justifique o início das obras no meio da quadra e não no cruzamento das Avenidas Ipiranga e Érico Veríssimo, como deveria ser.

Para tais obstáculos, não vislumbro solução diferente da remoção de algumas árvores ou postes, caso contrário teremos uma pista de obstáculos e não uma ciclovia.

Risco de quedas

Em função do pouco espaço no canteiro central e da grande diferença de nível existente entre a Av. Ipiranga e o leito normal das águas do Arroio Dilúvio, qualquer descuido ou acidente poderá causar uma grave queda aos usuários da ciclovia.

Recentemente a Prefeitura instalou um modelo de uma possível proteção, mas em função de inúmeras críticas, a proteção foi retirada e um concurso de ideias para a construção de novas proteções já está em andamento.

Independente do resultado, os ciclistas estão sempre correndo o risco de caírem dentro do Arroio ou de sofrerem um choque contra uma barreira física instalada bem ao lado da ciclovia.

Prazos e Custos

Conforme informações divulgadas na mídia e também na placa informativa da própria obra, o trecho inicial de aproximadamente quatrocentos metros teria uma previsão de término para dezembro de 2011.

Supondo que o primeiro trecho fosse concluído e entregue amanhã, 21 de janeiro de 2012 (depois de cinco meses de obras), a ciclovia com aproximadamente nove quilômetros só seria entregue em nove anos, lá por 2020.

Outra grande discrepância é o valor apresentado. Em situações anteriores, a própria EPTC mencionou que para a construção de cada quilômetro de ciclovia seria necessário o investimento médio de duzentos e cinquenta mil reais. A ciclovia da Ipiranga apresenta um gasto de mais de duzentos e oitenta e oito mil reais para apenas quatrocentos metros.

Não podemos permitir a construção de uma ciclovia que prejudicará ainda mais a vida de quem pedala. É inconcebível a mentalidade de um gestor público que viabiliza um projeto deste porte sem o menor estudo e conhecimento das necessidades do público ao qual é destinado.

Esta obra deve ser imediatamente paralisada, para que seu projeto seja inteiramente reformulado, sob pena da criação de algo que não trará qualquer benefício para a população, servindo somente para uma empresa privada “cumprir” com um compromisso de contrapartida.

A melhor solução para a implementação de uma ciclovia na Avenida Ipiranga seria a remoção das vagas de estacionamento de ambos os lados e a criação de ciclovias unidirecionais, uma em cada lado da Avenida, acompanhando o fluxo dos veículos.

Só desta forma teremos uma ciclovia utilizável, contínua e sem a necessidade de constantes trocas nas margens do Arroio, sem o compartilhamento de espaços com pedestres, sem o risco de quedas, com o espaço necessário para as bicicletas circularem e uma infinidade de outras vantagens, isso sem falar de uma grande redução dos custos da obra.

Claro que, para isso ocorrer, dependemos do mínimo de vontade política em prol do uso da bicicleta e de um real planejamento de mobilidade urbana, o que normalmente não existe para os gestores da cidade de Porto Alegre.

Pablo Weiss.

Fonte: http://www.poabikers.com.br

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